N.E.C.A.

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QR Codes: onde se alimentam?

Desde o natal, o pessoal da TAM colou, ao lados dos bancos de suas aeronaves, um QR-Code para surpreender seus clientes:

(nem assisti ao vídeo porque deu preguiça)

Uma agência vender ação com esse troço é aceitável, já que não é crime ganhar dinheiro de trouxa (ninguém usa essa merda de QR-Code mas o cliente sempre acha isso o futuro da Internet). Mas forçaram a barra de cereal de brigadeiro quando decidiram que só o aplicativo específico da TAM seria capaz de ler os códigos.

“realidade aumentada kkkk vamos colocar isso no PPT que os véio lá da tam vão achar muito loko igual daquela vez que a gente vendeu uma ação pro second life”

Considerando que empresas aéreas odeiam celulares dentro do avião, chegando ao ponto de proibir seu uso durante decolagem, cruzeiro (aprendi esse termo ontem) e pouso MESMO NO MODO AVIÃO (se não posso usar o celular no modo avião no avião vou usar onde, num pirocóptero???), o cara tem aproximadamente 2 minutos pra baixar o aplicativo, se estiver tudo bem com o 3G dele (em aeroporto sempre é uma merda).

Depois terá que fotografar o tal código que tá na janela. Se você estiver na poltrona do corredor, fudeu. Daí, É SÓ ESPERAR A TAL SURPRESA.

Mas a última coisa que eu quero num voo da TAM é ter qualquer tipo de surpresa.

Nem parece banco

Divórcio dos territórios do Pará, união dos amantes de relações homoafetivas. Antes disso, fusão de cervejarias (transformando nossas cervejas nas piores da América Latina, Europa e um 3º continente à sua escolha) e fusão de bancos. Já assumindo que os serviços bancários são sofríveis, querem nos confundir, dizendo que tal instituição “nem parece banco”. Sim, tem algo mais confuso que os caixas e o Internet Banking do Bradesco: o que é banco e o que não é banco. Abaixo, algumas dicas:

 

oie
Parece banco e é banco: até tem "Banco" no nome.
Isto não é um banco. É uma emocionante partida de vôlei de praia pelo desafio internacional do Esporte Espetacular.
Isto é um belo exemplar do que podemos chamar de banco.
Parece banco, mas é apenas um amistoso gatinho laranja abraçado com um simpático tucano de pelúcia.
Não se deixe enganar. Isso é um banco.
oiii
Isto não é um banco. É um convite irrecusável para conhecer a terra prometida e o murro das lamentações.
Este é um banco tradicional, o banco de várzea, o banco moleque.
Isto não é um banco, é um convite para aproveitar a vida, se curtir e presenciar um belo por-do-sol.
Por fim, isto não é um banco. É um cento de salgado vendido por um preço justíssimo. Saboreie-o e, ao mesmo tempo, ajude a complementar a renda de um trabalhador honesto e aquecer a economia local.

Pode parecer confuso inicialmente mas, com um pouco de observação e sapiência, você conseguirá distinguir um banco de outros objetos e lugares.

Danilo Miranda

Quando meu filho nascer vai apanhar muito se andar com algum drogado

Mentira, ele não vai apanhar, pelo simples fato de que eu não quero ter filho. Se tivesse, não bateria também. Nem sei se concordo com a tal pedagogia do diálogo e valorização do amor ou com aplicar no filho uma bela surra de gato morto até o gato miar. Nem quero saber.  Discutam aí enquanto eu penso na forma mais prática de nunca ter filhos.

Mas nem era isso que eu queria falar. Eu quero falar disso aqui:

Colégio expulsa alunos acusados de fumar maconha

Ao me deparar com esse título, pensei: que maravilha, tá havendo algum progresso na educação brasileira. Mas ao ler o texto por completo vi que ainda o governo vai ter que distribuir muita Bolsa Família, a julgar pelas perspectivas criadas pelo modo de pensar – às vezes dos alunos, às vezes da escola e, muitas vezes dos pais de família de classe média pra cima.

Sei que fazer um post comentando parágrafo por parágrafo é algo meio preguiçoso e mais fácil de se transmitir uma ideia. Logo, logicamente, é desse jeito que vou fazer. Segue:

Três pais de alunos vão processar a Escola Britânica, colégio particular bilíngue no Rio de Janeiro, por ter expulsado seus filhos sob a acusação de fumarem maconha durante viagem organizada pela escola na semana passada. Os três adolescentes, de 16 anos, foram obrigados a abandonar o passeio, em Pouso Alto, sul de Minas, no primeiro dia.

Esse parágrafo que me proporcionou a tal catarse. Lindo, dá vontade de emoldurar (nem tanto, mas vocês entenderam).

Segundo um dos pais, que não quis se identificar, os professores mandaram que eles voltassem de táxi. “Meu filho foi tratado como um criminoso. Ele não é e não vou admitir que façam isso com ele. O papel de uma escola é educar.”

Sim. Seu filho foi tratado como um criminoso porque é isso que ele é. Usar drogas ilícitas é crime. Você devia deixar de usar sua falácia coruja e usar o cérebro pra pensar em alguma forma de que seu filho pare de fumar maconha. O papel da escola é educar? Sim, mas esse seu educar inclui “desfazer as merdas, fazer o papel que os pais deveriam ter feito mas não fizeram por algum motivo egoísta”? Isso não é educar. Isso era sua obrigação. Se você tivesse feito isso, provavelmente seu filho não seria um maconheiro aos 16 anos.

A Britânica é uma das escolas mais caras do Rio. Para entrar, os alunos pagam uma taxa de cerca de R$ 20 mil. As mensalidades giram em torno de R$ 3,5 mil. Procurada pelo Estado, a escola não quis se manifestar. Os pais decidiram processar o estabelecimento, o diretor e os professores envolvidos no episódio tanto na área cível quanto na criminal.

Isso ilustra bem o que o pai pensa sobre educação: “já que não consegui ser um pai que preste, vou purificar minha consciência pagando a escola mais cara que encontrar pela frente. Ah, ela é britânica? Legal! Tudo bem, se fosse muçulmana, nipônica, se ensinasse a pegar Aids ou a trabalhar no tráfico, tudo bem, desde que seja a mais cara. Sendo a mais cara tá tudo bem”.

“A escola desrespeitou a dignidade dos alunos. Foi uma afronta aos direitos fundamentais dos menores. Os algozes (professores e diretor) foram insensíveis, desumanos, arbitrários e vão pagar por isso”, afirmou o criminalista Nélio Machado, que representa as famílias.

É por conta desses caras que se dizem representantes de alguma coisa que a família está tão erroneamente desacreditada. Quer dizer que o certo seria permitir o uso de maconha de 3 caras enquanto provavelmente 20, 30 outos meninos e meninas teriam a obrigação de conviver com isso? Os pais dessas 20, 30 pessoas têm a obrigação de aceitar que numa viagem de estudos tenham 3 babacas usando drogas perto dos seus filhos? É medida tribal, uma tradução muito errada e distorcida de condutas que vieram de fora. Aliás, é o que o brasileiro sabe fazer de melhor: pegar algo bom de outros países, adaptar para a “cultura do brasileiro” e transformar em uma perfeita merda.

O passeio da turma foi realizada na semana passada. Os três alunos estavam juntos, no mesmo quarto e, segundo o pai de um deles, os professores sentiram cheiro de maconha. “Eles foram interrogados e sofreram terror psicológico para confessar que tinham fumado. Logo depois foram expulsos do passeio.” Segundo o pai, eles tiveram de encontrar uma maneira de voltarem para casa sozinhos. “Isso é inadmissível”, afirma. Pouso Alto fica a 250 quilômetros do Rio.

sofreram terror psicológico para confessar que tinham fumado sofreram terror psicológico para confessar que tinham fumado sofreram terror psicológico para confessar que tinham fumado sofreram terror psicológico para confessar que tinham fumado sofreram terror psicológico para confessar que tinham fumado sofreram terror psicológico para confessar que tinham fumado sofreram terror psicológico para confessar que tinham fumado

kkkkk

Além do processo criminal, os pais vão tentar uma liminar para que os adolescentes possam continuar estudando na escola. “O que a escola fez é um exemplo negativo. Em vez de educar, resolveram tratá-los como criminosos.” As informações são do Jornal da Tarde.

Vão entrar com uma liminar e o diabo a quatro. Não foi dito nada sobre arrumar uma maneira de fazer com que seus filhos parem de usar drogas. Talvez eles estejam procurando um colégio mais caro ainda, talvez eles tenham prometido aos filhos um carro melhor de presente de Natal.

O casal Richtofen mandou lembranças, dizendo que espera por vocês. E avisa o Chamburci que tem danone à vontade.

Feliz Natal e belo 2011.

Danilo Miranda

Criticar ou ficar calado?

Critico muitas coisas, não tenho como evitar, sempre fui assim. Aquilo que me incomoda, exponho, o que me atinge, exponho, o que me satisfaz, igualmente o faço. Logo, em pouco tempo esse blog já havia se tornado uma verdadeira extensão dos meus pensamentos, onde basicamente se resumia a críticas, elogios e sugestões para, quem sabe, resultar numa possível maior harmonia na convivência dos que lêem. Contudo, comecei a perceber (e agora já se torna bastante claro) que quanto mais criticamos, maior é o sucesso de determinada bobagem.

Existem pessoas dispostas a qualquer coisa para fazer sucesso. Algumas escolhem, por exemplo, o caminho dos “haters”, que, pelas minhas observações, parece ser facilmente tangível para quem tem verdadeira determinação. A fórmula é simples: faça alguma coisa extremamente idiota que cause raiva naqueles que têm relevância. Dessa forma, muita gente ficou famosa na internet, seja fazendo um vídeo completamente babaca, criando um blog fake cristão ou utilizando um script para aumentar a quantidade de seguidores no Twitter. O objetivo? Ora, por favor, até uma criança de oito anos pode perceber: causar!

O problema então reside exatamente aí. Criticar seria a solução? Mostrar ao povo o quão insignificante é determinada atitude não pode acabar por torná-la significante, contrariando os objetivos dos que gostariam que tal presença desaparecesse?

Temos uma situação complexa. Gosto de enxergar determinados blogs, sites e twitters como “a resistência”, dá um ar de Liga da Justiça pra coisa, que na verdade é muito mais boba do que parece. Esse grupo é composto pelos que vão de encontro à manipulação midiática da massa brasileira, aquela que elege Geisy como heroína e estampa o tempo inteiro ídolos de esgoto em suas manchetes principais. Essas pessoas comprometem-se com um objetivo duro: combater o que a maioria acha interessante, mas que nós, da resistência, classificamos como descartável enocivo para a mente de quem já não tem lá tanta elucidação e liberdade de pensamento sem os controles sociais impostos há tantos anos no país. Tentamos apontar os defeitos e incentivar o raciocínio. O resultado disso é uma onda inacabável de xingamentos e revoltas injustificadas, sempre levantando a bandeira do: “Não critique o que eu gosto, seu babaca!” – Triste, mas real.

Contudo, nossas ações têm tanto resultado positivo quanto negativo. Ao mesmo tempo que muita gente concorda e se junta ao coro de pessoas contra determinadas superficialidades, damos também espaço para que outras, não preparadas, conheçam essas bobagens e passem a gostar, ou até mesmo se identificar com o que talvez merecesse permanecer para sempre na câmara do ostracismo. Exemplos como Fani e seu livro, Geisy Arruda, Bruna Surfistinha, Mulher Melancia, as “boy bands” brasileiras, entre tantos outros, ajudam a mostrar como a quantidade de ferramentas a favor da “cultura do gozo e do imediatismo” é alarmante. E pergunto: até que ponto nós, que criticamos, somos também auxiliadores de seu sucesso?

O maior exemplo que segue a linha de raciocínio que estou tentando mostrar nesse texto encontra-se agora no YouTube. Seu nome é Felipe Neto, conhecido na internet como aquele babaca dos vlogs. Para quem não sabe, o resumo de sua história é tão pequeno quanto sua importância. Há algum tempo, surgiu um tal de “Não Faz Sentido” no YouTube que, da noite para o dia, apareceu magicamente com mais de 25 milhões de visualizações (views). Imediatamente aquilo atingiu o ego de muitos blogueiros, principalmente os pertencentes à já citada “resistência”. O referido moço tinha simplesmente utilizado um roteiro estilo “revolta adolescente” no seu vlog, que adicionou milhares e milhares de subscribers idiotas ao seu canal.

Ponto final, esse foi o motivo pelo qual Felipe Neto ficou conhecido. Simplesmente, um rapaz que usou uma técnica simples de iconoclastia juvenil pra aumentar o número de assinantes e, imediatamente, virou motivo de piada entre os blogueiros e twitteiros “relevantes” do país. O problema foi: quanto mais ele era humilhado, mais gente ficava sabendo de sua existência e assinava seu canal só pra ficar vendo as respostas da mocinha indefesa. Resultado? Felipe Neto ficou famoso na Internet e foi chamado até mesmo para dar palestras (uadafuck?!). Suas pérolas eram impagáveis, como quando afirmou odiar Crepúsculo, mas em um vídeo anterior reclamar que roubaram um pôster que ele tinha do filme e a vez em que ameaçou processar o Google porque eles atrasaram o pagamento do AdSense dele. Tentou ainda manter um blog, colocando uns posts pagos, mas o sucesso foi tão risível que sequer ganhou destaque (afinal, quando a esmagadora maioria de seus seguidores é composta por adolescentes iletrados e gente que segue apenas para dar gargalhada da sua cara, não dá para atingir sucesso com algo sério).

Foda-se, tô sem Photoshop, foi o que deu pra fazer...

Portanto, pensemos. Teria Felipe Neto atingido a “fama” se não fosse pelos blogueiros e twitteiros que começaram a fazer piada sobre sua existência? Se o silêncio tivesse imperado, onde estaria o Felipe agora? Provavelmente tentando desesperadamente fazer menininhas de 13 anos responderem suas twittadas, ou talvez tivesse simplesmente desistido. Mas a resistência, na tentativa de colocar todos contra alguém que teve uma atitude idiota e superficial, acabou criando uma webcelebridade, que estampará capas de revistas, jornais e sites durante um tempo considerável, até cair no tão desejado esquecimento (não podemos deixar de lembrar: “Quem só tem bunda some”. E nem isso Felipe Neto tem). Nós criamos um ídolo de esgoto e eu, sinceramente, peço desculpas ao povo pela minha pequena participação nisso.

Por essas e outras, percebi: devemos saber quando criticar. Apontar dedos e tentar minimizar algo que já é risível por si só pode acabar criando um monstro. Então, certas horas, devemos apenas ficar calados. Espero que os outros também consigam enxergar isso, ou a situação só tende a piorar.

Observação pertinente: A expressão “a resistência” era pra ser uma piada. #FAIL pra mim, já que muitos levaram a sério.

Brasília: a terra das piadas prontas e sem graça

Nunca na história deste país foi novidade chamar o pessoal que mora em Brasília de bandido, assaltante, ignorando que lá – sério – mora mais gente além de políticos. E tem até gente honesta, creio eu. Não fui lá conferir e nem pretendo. Brasília parece ser chata, cheia de gente que se acha o Bubbaloo no meio dos Ping Pong e mais feia do que a própria cara do arquiteto que fez aquelas naves espaciais que insistem em chamar de obra de arte. Pensam até que são o centro do Brasil (insira aqui o lag que deu no seu cérebro para entender que isso foi um trocadilho da pior marca).

Até costumamos rir de outras coisas, mas não sai de moda fazer humor com política. E muita gente ruim já se deu bem nisso, como o bobão do Arnaldo Jabor, o pangol do Millôr Fernandes, o rei dos trocadilhos José Simão, os Casseta & Planeta (Maria Paula, você está lá só porque é gostosa, e isso não é um mau sinal), CQC, esses Legendários cujo programa nunca precisei assistir pra saber que é uma merda, Jô Soares, O Pasquim (se você acha que esse Pasquim foi um periódico importantíssimo pra construção e divulgação do olhar crítico nacional, você é bem bobão e podia gastar seu dinheiro com outra coisa ao invés de comprar Caros Amigos), etc.

Poderia passar linhas e linhas falando sobre todos. Poderia dizer que o povo do CQC é como o cara chato da escola que faz piada com todo mundo mas sempre apela quando a piada é sobre ele (oi, Danilo Gentili), que o Casseta & Planeta melhorou porque desde a copa de 2006 tem um a menos, que o Millôr e o Jô são como patos, que tentam fazer de tudo ao mesmo tempo (nadar, voar e correr) mas não fazem nada direito. Mas destinarei um post só pra cada um desses. Prometo. Se não cumprir reclamem com meu assessor (insira sua risada aqui).

Juro que fiz essa piada somente como ponte pra atravessar sobre o rio de ladainhas em que me afogava pra chegar no assunto principal: piadas prontas com Brasília. Alguém podia explicar pra esses e muitos outros que ainda virão que fazer piadas com as tags “brasília, política, mensalão, ladrão, dinheiro, promessa, assessor, lula, dilma, peruca” é tão bobo quanto o seu tio Arnaldo, que quando vai comer pavê pergunta se é pavê ou pacumê. Notem que não há aqui uma dicotomia entre graça e assuntos políticos, e sim do comodismo em que as pessoas que querem parecer engajadas/inteligentes costumam se enfiar. Seguem alguns exemplos clássicos das tais anedotas que existem antes mesmo da Preta Gil nascer gorda ou o Rubinho Barrichello nascer devagar:

-Repórter para Fernando Collor de Melo: COLLOR VOCÊ DISSE NA CAMPANHA PRA PRESIDÊNCIA QUE IA ACABAR COM A FOME E A POBREZA DO PAÍS, PARABENS POIS VC CUMPRIU SUA PROMESSA… SÓ NÃO AVISOU QUE IRIA ACABAR COM ELES OS MATANDO DE FOME!!! COLLOR PQ VC NAO FALA COM O CQC!!! AH O PC FARIAS COMEU SUA LINGUA!

-José Simão: BUEMBA BUEMBA !!! LULA é indiciado por pedofilia porque F*** com todas as crianças ao roubar o dinheiro da educação!! Rá! Rá! Rá!!!

-Seu tio Arnaldo: Ô MENINO, TÁ ROUBANDO NO TRUCO??? VOU TE LEVAR LÁ PRA BRASÍLIA PRA VC APRENDER A ROUBAR DIREITO!!!

-Jô Soares: PORQUE EU QUANDO ESQUIAVA… PERAÍ, O QUE VC TÁ RINDO, BIRA? (essa foi uma pegadinha nada a ver só pra ver se vcs tavam atentos heeeeheheh)

-Repórter: Kassab, ser vice do Serra é como ser o Ricky Martin? Passa um bom tempo no fundo sem ninguém perceber pra depois assumir? … Kassab… Kassab…



Kassab não quis responder. Quem cala consente.

Isso é o mais fino humor brasileiro. O resto foge à concepção.

Pequeno guia de viagens – por Filho de Vó

E aí, galerinha do mal. Bagulho ta louco, vai dizer? Mil grau na quebrada.

Chega aqui pertinho do meu ouvido e responda: Você viajou  nestas férias, né? Ahnnn. Tirou fotinha, já? Oba! Filmou? Uhul! Causou na baladeenha? Da hora! Então lhe digo: deprimente.

Eu, como você (kiba essa, Gentilli!?), adoro viajar. No entanto, nós turistas, não somos sujeitos com o melhor dos caráteres. Incomodamos todo mundo, quando viajamos e quando voltamos da viagem.

Por isso, para que este mundo se torne um lugar melhor, trago a você as melhores dicas e comentários sobre o que fazer e não fazer durante e depois de uma temporada. Nada melhor do que este momento de volta das férias para você se redimir dos teus pecados e fazer tudo diferente da próxima vez.

Dica 1: As pessoas estão cagando um quilo e meio pra tua viagem!

Sim, um quilo e meio! Quando não, dois!  Essa é a regra de ouro e se você segui-la, nem precisa mais ler o resto do texto.

Espere as pessoas perguntarem se você viajou e qual foi o destino. Provavelmente você estará bronzeado(a) ou vestindo a tiarinha a Minnie e isto vai despertar a curiosidade da outra pessoa. Nada mais incômodo você chegar a alguém e dizer: “Oi, acabei de voltar de Milão. Adooooro!”. E daí, né, minha gente? Que você quer dizer com isso? Vai chover amanhã? E o mengão, hein? Vagner Love ta arrebentando…

Dica 2: Não fotografe. Se fotografar, não mostre.

O mundo inteiro já foi registrado por fotógrafos profissionais! Se não foi, é porque você ainda não pode visitar este lugar.

Depois que a câmera digital foi inventada qualquer idiota tem terabytes de lixo guardado no computador que não serve pra muita coisa a não ser irritar as outras pessoas.  Aí você chama seus amigos com a desculpinha de tomar uma na sua casa e passa aquele DVD com 1000 fotos do maior cajueiro do mundo em slideshow. Ninguém ta interessado nisso, filhão! Quando fizer isso da próxima vez, repare no sorriso amarelo dos teus amigos.

Entre na wiikipedia ou no Google images, procura a foto do lugar que você foi e diga: “Eu estava ali.” Pronto! A foto é bonita, feita por um profissional e, se bobear, é livre de direitos autorais!

Se realmente você quiser tirar foto, separe as melhores, suba-as para o flickr ou picasaweb e convide as pessoas a acessar.

Dica 2.1: Não enxergue o mundo atrás da lente da câmera

Existe uma vida maravilhosa lá fora! Viva a merda do ambiente e guarde-o na memória. Cansei de ver turista se lamentando que não conseguiu tirar AQUELA foto DAQUELE momento. Foda-se! Você tem Alzheimer? Tem memória de lambari? Queria a foto pra se exibir pra quem, Sr. Pavão?

Dica 3: Não filme sob nenhuma hipótese.

Filmadora amadora é uma merda e você sabe disso! Se fosse legal, você não estaria endividado por ter comprado uma TV HD. Simples. Filmagem é coisa de gente grande, exige direção, operador de áudio e mais de uma câmera. Imagine assistir uma novela ou um filme sem cortes de câmera ou de planos. Para com esse bagulho aí que é foda, ok?

Dica 4: Não compre souvenires

- Quero ajudar a economia local.
- Se você está na pousada, comendo em restaurante, usando serviço de transporte, já está ajudando.
- Mas e o artesão?
- Então dá dinheiro pra ele e não leva
- Mas é arte!
- Se fosse arte o cara se chamaria “artista”, seria peça única e custaria um valor que você não estaria disposta a pagar! Essa porra só vai servir pra juntar poeira em casa.
- Vou comprar então pro Fabinho como lembrança…
- Você chamou o Fabinho pra viajar com a gente? Se não chamou, só vai deixar ele puto!
- Que nada… vou comprar essa carranca aqui.
- Já vi essa carranca em algum lugar em São Paulo. Se bobear, lá está mais barato. Vê se não tem um “made in Taiwan” nessa porra…

Dica 5: Prove a culinária local.

Ta lá em Recife, de boa… deu aquela fome? NÃO VÁ AO MCDONALD’S, CARALHO! Manda ver um chambaril ou toma um caldinho com pinga Pitu.

Se você é um mochileiro hippie sem dinheiro que come lixo, ok, coma no lugar mais barato e mais farto. Se você é rico, acredite, não tem nada mais deprimente que você comer uma picanha no réchaud fora do Rio Grande do Sul. Aliás, gaúcho tem modos muito melhores de fazer uma picanha além desse negócio inventado por playboy chamado réchaud.

A cultura de um lugar está diretamente relacionado à comida. Nada melhor que comer cultura, literamente. Não reclame, turistinha paulista, se for comer pizza em Manaus e sair do restaurante dizendo que não presta. Quem não presta é você, seu bundão!

Dica 6: Ser turista não te faz melhor que ninguém.

Seja humilde, meu nêgo! Não é porque você está se divertindo ou é da cidade X que lhe dá o direito de se achar melhor ou de desrespeitar as pessoas de algum lugar. Já vi otário se fuder bonito porque deu uma de retardado com quem não devia. Além disso, você não é maioria. O fato de você ser do Rio de Janeiro não te transforma em intocável – a chance das pessoas não irem com a tua cara é imensa! “Oi, sou de São Paulo” não é uma cantada legal.

Filho de Vó é agente de viagens, fotógrafo, glutão, diboa e chato pra caralho.


Greenpiss

Quaisquer propostas que visam melhorar a qualidade de vida da sociedade têm de ser analisadas com muita atenção e boa vontade. As fontes naturais têm sim suas limitações e todo aquele discurso que às vezes soa chato e radical tem realmente muita propriedade. O ecochato que vai te vender um lápis reciclado de soja sempre me parece mais útil do que o pobre metido a playboyzinho que vende o colchão pra queimar gasolina e pneu com seu Golf, embora os dois tipos de gente me irritem. E tem coisa que soa tão pateta que a vontade de dar um tiro no cu dessa galera soa como uma ótima ideia.

Dentre as maiores imbecilidades inventadas por essa galera que só pode ser a mesma que promove Free Hugs pelas ruas, nenhuma supera a campanha “Faça xixi no banho”. Estou aqui para ser corrigido, se preciso. Não fiz nenhum estudo técnico, empírico, prático, não levantei dados. Mas se você realmente procura algo técnico aqui você é muito burro. Vai pra alguma biblioteca ou procurar algo sério e não enche o saco.

Assim como não contribui em nada aqueles aquecedores solares ou a gás (você abre a torneira no máximo e depois de 3 minutos a água começa a esquentar), aqueles secadores de mão que evitam o gasto de papel mas gastam uma puta energia elétrica, além de serem ruins pra caralho, o xixi no banho não ajuda em nada, vamos pensar um pouco.

Ao que me consta, não conheço alguém que consiga se ensaboar ou lavar o cabelo ou fazer qualquer coisa ao mesmo tempo que faz xixi (espirrar NUNCA, não faça isso, pelo amor deus!). Pense comigo. Você vai usar as mãos para fazer. Ou seja: você vai parar de fazer qualquer outra coisa e deixar o chuveiro jogando água por 10, 20, 30 segundos enquanto você se alivia. Não vai dizer que você tem o controle da parada, porque NÃO TEM. E para as mulheres, creio que seja menos divertido ainda. Logo, calcule a água e energia desperdiçados enquanto você acha que está salvando uma criancinha da África mijando no ralo. É muito mais do que uma descarga. Você tem que ter uma mira básica, ao menos.

estoy mijando e atirando pra todo lado quem curtiu levanta a mão
estoy mijando e atirando pra todo lado quem curtiu levanta a mao

Outro aspecto é: se for pra evitar dar descarga, mija na terra, no tanque, numa garrafa que você vai jogar fora, num cachorro, numa criança, faça do jeito que preferir. Daí você pensa: mas isso seria porco! Sim, e vai dizer que é higiênico você encher de xixi o piso do banheiro de onde você teoricamente tem que sair limpo.

Pense também sobre a frequência com que você precisará lavar o banheiro inteiro em virtude do mau cheiro que se acumulará com essa brincadeirinha. Se tem ecochato que gosta de viver no meio da bosta, de bicho fedido e tomar pouco banho, tudo bem. Mas não faz parte das minhas preferências desde quando minha mãe resolveu que eu nasceria numa cidade e tivesse uma casa limpinha. Gosto de lugares limpos. É só uma questão de preferência mesmo.

Se você é porco ou preguiçoso e curte fazer aquele xixi gostoso enquanto relaxa durante o banho, fique à vontade. Mas não me venha com essa de que é ecologicamente correto. Não é. Pelo contrário. E aposto que você faz isso mas depois vai usar desodorante aerosol porque é mais geladinho e gostoso, além de ter deixado o monitor do seu computador ligado enquanto toma banho. Ah, e vai passar 40 minutos sob o chuveiro. Ah, e vai bater umazinha talvez??? Tem que ver isso aí.

Vá adotar algum animal, economize energia, não jogue lixo no chão, faça menos filhos, gaste menos papel, pare de ficar usando carro pra ir até a esquina, não vá lavar a calçada, enfim, foda-se. Daqui a pouco vão dizer pra gente não lavar mais as mãos depois de usar o banheiro e você vai se sentir aliviado, porque já não fazia isso mesmo. Mas se ainda quiser aderir à campanha, lembre-se de abrir o ralo.

tipow imagine o xixi espandindo mais e mais e voce nao consegue enxerga pois a propria urina os tampa
tipow imagine a urina espandindo mais e mais e vc nao consegue enxerga pois o proprio xixi os tampa

Brasil: ruim em tudo

Como alguns de vocês sabem, eu moro no Canadá. É sempre mais fácil perceber as coisas quando se olha pra elas com um certo distanciamento: os problemas da minha terra natal ficam mais claros agora, como um quadro do Monet que de perto parece um monte de borrão e de longe parece um monte de borrão também, só que mais bonito.

A diferença é que o Brasil não é bonito nem de perto e nem de longe.

Favela da Rocinha
tipow imagie a favela expandindo mais e mais e o olho humano naum consegue inxerrga pois a propia pobreza os tampa..

Quer dizer, o pedaço do planeta que deu o azar de abrigar o Brasil é bem bonito, mas é realmente incrível como o povo que o habita conseguiu contruir uma nação tão incrivelmente tosca. E o pior é que todo brasileiro sabe que o país é ruim, mas 1) acredita que apesar dos pesares é o  melhor país do mundo pra se viver e 2) o  povo brasileiro é criativo, trabalhador, honesto e hospitaleiro, o problema são os políticos. A primeira alegação é fruto do puro ufanismo ignoante que aflige não só brasileiros mas a maioria dos povos da Terra, a segundo é a boa e velha mania do brasileiro de procurar alguém pra colocar a culpa de suas próprias cagadas.

O Brasil não só não é o melhor país do mundo pra se viver como a culpa disso, obviamente, não é dos políticos, é de todos os brasileiros. Eu me sinto até idiota escrevendo algo tão óbvio, mas é incrível como quando converso com as pessoas a respeito do assunto (e isso acontece muito, porque volta e meia alguém me pergunta porque eu me mudei de um país  tão maravilhoso) esses dois argumentos sempre aparecem.

O primeiro é muito fácil de ser rebatido: pega qualquer indicador social e compara com o dos países de primeiro mundo. Pega o Índice de Desenvolvimento Humano, por exemplo. Só na América Latina e Caribe, região onde o Brasil adora considerar-se um líder, o país perde pra Bermuda, Chile, Antígua e Barbuda, Argentina, Uruguai, Cuba (CUBA!), Bahamas, México, Costa Rica, Venezuela, Panamá, São Cristovão e Nevis, Trinidad e Tobago, Santa Lúcia, Dominica e Granada. Tirando os Estados Unidos e o Canadá, ainda tem 15 países mais desenvolvidos que o Brasil no continente americano. Quinze.

Aí vem sempre alguém e fala “ahhh, mas só aqui a gente tem esse clima bom o ano todo, essa natureza maravilhosa!”. Pergunta pro pessoal de São Paulo lá no meio da enchente o que eles acham do clima maravilhoso dess país. O mais importante é morar num lugar preparado para o clima. O Canadá é frio, mas aqui tudo é calafetado e aquecido. Passava mais frio aí do que passo aqui.

Passeando na caça,ba da Saveiro
Passeando na caçamba da Saveiro

E a questão da natureza… meu amigo, você vive no meio da floresta amazônica? Você vive em Fernando de Noronha? Não? Então calaboca! A maioria das pessoas vive em cidades e as cidades brasileiras são todas escrotas. A única que era mais bonita, o Rio, os favelados tomaram conta e conseguiram ocupar cada pedacinho de natureza com barracos nojentos.

O segundo argumento que justifica o fato de o Brasil ser um país merda é de que todo mundo é bonzinho, menos os políticos e demais figuras de autoridade (juízes, polícia, etc). Esse argumento é tão ridículo, mas tão ridículo que não vou nem me dar ao trabalho de comentar. Para e pensa no tanto de gente que sonega impostos, faz pirataria, paga proprina para não precisar ter de fazer cursinho para renovar a carteira de motorista, faz carteirinha falsa de estudante, faz gato pra pegar a TV a cabo do vizinho, rouba Sonho de Valsa nas Lojas Americanas, escreve post pago sem avisar que se trata de propaganda, copia a idéia dos outros e vende como sendo sua (alô Luciano Huck!)… enfim, brasileiro é tudo desonesto!

… mas tudo bem, porque sempre dá pra colocar a culpa em outra pessoa, ou no imperialismo americano, nos políticos, em Portugal que nos tratou como colônia de exploração. Nosso problema só pode ser os outros, afinal de contas o melhor do Brasil é o brasileiro.

Maldita segregação digital

Olá. Quem aqui é contra inclusão social, democratização do acesso à informação? Quem aqui é contra a construção de mais parques, mais teatros a preços populares, mais creches, mais escolas públicas e hospitais públicos de qualidade?

Certamente você pensou: “ué, ninguém”. Então pense bem. Por que raios existem pessoas que falam que odeiam a INCLUSÃO DIGITAL?

O público-alvo dessa gozação marota inicialmente era quase sempre alguém que tirava foto de biquini numa caixa d’água, ou o motoboy que exibia seu salário em 20 notas de R$50,00 com cara de fodão, alguns mendingos com dente de lego e alguns travecos ao estilo Ronaldo. Mas como tudo nessa fascinante ferramenta de comunicação do séc. XXI, a Internet, as coisas vão evoluindo muito rápido e, o que era uma pequena piada babaquinha e óbvia começa a se tornar uma imbecilidade sem tamanho.

Até daria pra fazer uma linha cronológica da evolução da coisa,  que passaria pelos indiezinhos que, se ontem eram miguxos com fotos de biquinho e bunda empinada em frente ao espelho, hoje falam mal de quem faz isso, talvez numa necessidade iminente de que esqueçam do seu próprio passado. Citaria também quem faz panelinhas dentro de comunidades de artistas e principalmente séries idiotas, cujos fãs mais ativos e chatos (redundância, olá?) falam do alto do seu pedestal sustentado por uma mediação na comunidade, começam a brigar com todo fã novo que acaba de ingressar em uma comunidade pra se sentir melhor. Mas vamos falar do hoje.

Sites como O Melhor do Twitter e Pérolas do Orkut conseguiram concluir a mais perfeita distorção e inversão de papéis que a Internet já presenciou. Basta checar o nível dos comentários de quem entra ali. Uma galera um pouquinho  (mas SÓ um pouquinho) mais alfabetizada que o mendigo da esquina, capaz de comentar em uma foto mas certamente incapaz de escrever uma redação de 20 linhas com coerência. Em muitas vezes, não percebem quando alguma comunidade é feita propositalmente errada, e metem o pau como se soubessem do que estão falando.

 

olha so shau sahu sahus shau aff ¬¬ maalditaa inclusaao digitaal
olha so shau sahu sahus shau aff ¬¬ maalditaa inclusaao digitaal

O que se poderia esperar de um país onde falar que suicida tem mais é que se fuder, que King Kong é quase a história do jogador de futebol porque é um macaco que vai pra cidade grande pegar uma loira e que CQC é humor inteligente, o Kibeloco sai na capa de Época como “humor informativo e politizado”, o José Simão ganha dinheiro e espaço na mídia com trocadilhos primários, o Jô Soares é sinônimo de gente culta e o #PrecoJusto e #forasarney não pegam? (ESSA ÚLTIMA É BRINCADEIRA, SÓ PRA DESCONTRAIR, GALERA).

Deixa a menina tirar foto de biquini ali, pô! Até porque eu sei que você já bateu uma NA INTENÇÃO dela, seu safadinho. Deixa o cara posar em cima da Titan CG 125 Fan! E deixa a galera se divertir com colheita feliz (ops, você joga também né, HEHEHE).

Na próxima vez que pensar em proferir “maldita inclusão digital”, lembre-se que talvez sua mãe esteja dando Oh30 de cu com relógio parado por R$2,50 pra pagar a parcela do seu notebook, o seu livro do Jô Soares que é um es-pe-tá-cu-lo e o ingresso pro stand-up do Oscar Filho.

Analogia

Vejam os Links da semana abaixo:

Gordo Nerd – Links da Semana

Bobagent0 – Bobalinks

Treta – Usura Não!

Não Salvo – Links da Semana

Sedentário – Links Interessantes…

Cogumelo Louco – Cogulinks

Em respeito aos leitores do Interbarney desisti de postar um vídeo ilustrando tal hábito.

NECA

não me venha explicar a piada EU ENTENDI

por @mirandanilo, @ibere e @ezulian

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