Critico muitas coisas, não tenho como evitar, sempre fui assim. Aquilo que me incomoda, exponho, o que me atinge, exponho, o que me satisfaz, igualmente o faço. Logo, em pouco tempo esse blog já havia se tornado uma verdadeira extensão dos meus pensamentos, onde basicamente se resumia a críticas, elogios e sugestões para, quem sabe, resultar numa possível maior harmonia na convivência dos que lêem. Contudo, comecei a perceber (e agora já se torna bastante claro) que quanto mais criticamos, maior é o sucesso de determinada bobagem.
Existem pessoas dispostas a qualquer coisa para fazer sucesso. Algumas escolhem, por exemplo, o caminho dos “haters”, que, pelas minhas observações, parece ser facilmente tangível para quem tem verdadeira determinação. A fórmula é simples: faça alguma coisa extremamente idiota que cause raiva naqueles que têm relevância. Dessa forma, muita gente ficou famosa na internet, seja fazendo um vídeo completamente babaca, criando um blog fake cristão ou utilizando um script para aumentar a quantidade de seguidores no Twitter. O objetivo? Ora, por favor, até uma criança de oito anos pode perceber: causar!
O problema então reside exatamente aí. Criticar seria a solução? Mostrar ao povo o quão insignificante é determinada atitude não pode acabar por torná-la significante, contrariando os objetivos dos que gostariam que tal presença desaparecesse?
Temos uma situação complexa. Gosto de enxergar determinados blogs, sites e twitters como “a resistência”, dá um ar de Liga da Justiça pra coisa, que na verdade é muito mais boba do que parece. Esse grupo é composto pelos que vão de encontro à manipulação midiática da massa brasileira, aquela que elege Geisy como heroína e estampa o tempo inteiro ídolos de esgoto em suas manchetes principais. Essas pessoas comprometem-se com um objetivo duro: combater o que a maioria acha interessante, mas que nós, da resistência, classificamos como descartável enocivo para a mente de quem já não tem lá tanta elucidação e liberdade de pensamento sem os controles sociais impostos há tantos anos no país. Tentamos apontar os defeitos e incentivar o raciocínio. O resultado disso é uma onda inacabável de xingamentos e revoltas injustificadas, sempre levantando a bandeira do: “Não critique o que eu gosto, seu babaca!” – Triste, mas real.
Contudo, nossas ações têm tanto resultado positivo quanto negativo. Ao mesmo tempo que muita gente concorda e se junta ao coro de pessoas contra determinadas superficialidades, damos também espaço para que outras, não preparadas, conheçam essas bobagens e passem a gostar, ou até mesmo se identificar com o que talvez merecesse permanecer para sempre na câmara do ostracismo. Exemplos como Fani e seu livro, Geisy Arruda, Bruna Surfistinha, Mulher Melancia, as “boy bands” brasileiras, entre tantos outros, ajudam a mostrar como a quantidade de ferramentas a favor da “cultura do gozo e do imediatismo” é alarmante. E pergunto: até que ponto nós, que criticamos, somos também auxiliadores de seu sucesso?
O maior exemplo que segue a linha de raciocínio que estou tentando mostrar nesse texto encontra-se agora no YouTube. Seu nome é Felipe Neto, conhecido na internet como aquele babaca dos vlogs. Para quem não sabe, o resumo de sua história é tão pequeno quanto sua importância. Há algum tempo, surgiu um tal de “Não Faz Sentido” no YouTube que, da noite para o dia, apareceu magicamente com mais de 25 milhões de visualizações (views). Imediatamente aquilo atingiu o ego de muitos blogueiros, principalmente os pertencentes à já citada “resistência”. O referido moço tinha simplesmente utilizado um roteiro estilo “revolta adolescente” no seu vlog, que adicionou milhares e milhares de subscribers idiotas ao seu canal.
Ponto final, esse foi o motivo pelo qual Felipe Neto ficou conhecido. Simplesmente, um rapaz que usou uma técnica simples de iconoclastia juvenil pra aumentar o número de assinantes e, imediatamente, virou motivo de piada entre os blogueiros e twitteiros “relevantes” do país. O problema foi: quanto mais ele era humilhado, mais gente ficava sabendo de sua existência e assinava seu canal só pra ficar vendo as respostas da mocinha indefesa. Resultado? Felipe Neto ficou famoso na Internet e foi chamado até mesmo para dar palestras (uadafuck?!). Suas pérolas eram impagáveis, como quando afirmou odiar Crepúsculo, mas em um vídeo anterior reclamar que roubaram um pôster que ele tinha do filme e a vez em que ameaçou processar o Google porque eles atrasaram o pagamento do AdSense dele. Tentou ainda manter um blog, colocando uns posts pagos, mas o sucesso foi tão risível que sequer ganhou destaque (afinal, quando a esmagadora maioria de seus seguidores é composta por adolescentes iletrados e gente que segue apenas para dar gargalhada da sua cara, não dá para atingir sucesso com algo sério).
Portanto, pensemos. Teria Felipe Neto atingido a “fama” se não fosse pelos blogueiros e twitteiros que começaram a fazer piada sobre sua existência? Se o silêncio tivesse imperado, onde estaria o Felipe agora? Provavelmente tentando desesperadamente fazer menininhas de 13 anos responderem suas twittadas, ou talvez tivesse simplesmente desistido. Mas a resistência, na tentativa de colocar todos contra alguém que teve uma atitude idiota e superficial, acabou criando uma webcelebridade, que estampará capas de revistas, jornais e sites durante um tempo considerável, até cair no tão desejado esquecimento (não podemos deixar de lembrar: “Quem só tem bunda some”. E nem isso Felipe Neto tem). Nós criamos um ídolo de esgoto e eu, sinceramente, peço desculpas ao povo pela minha pequena participação nisso.
Por essas e outras, percebi: devemos saber quando criticar. Apontar dedos e tentar minimizar algo que já é risível por si só pode acabar criando um monstro. Então, certas horas, devemos apenas ficar calados. Espero que os outros também consigam enxergar isso, ou a situação só tende a piorar.
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Observação pertinente: A expressão “a resistência” era pra ser uma piada. #FAIL pra mim, já que muitos levaram a sério.















